Economía

Bolsonaro encontra líder da ultradireita Salvini, que pede desculpas pelos protestos contra brasileiro na Itália

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Mais de mil soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) foram enviados para a Itália durante a Segunda Guerra. Morreram 465, mas os restos de dois militares nunca foram encontrados. Nos anos 1960, os corpos dos 462 brasileiros enterrados em Pistóia foram levados para o Brasil, permanecendo apenas um deles, o soldado desconhecido.  

Presidente brasileiro e sua comitiva andaram pelas ruas da capital italiana após a abertura do G-20 PUBLICIDADE O amigo italiano Em razão da imagem negativa de Bolsonaro, completamente isolado durante o G-20, a presença de Salvini no evento causou incômodo inclusive entre os partidos da direita italiana, aliados da Liga. O prefeito de Pistóia (de um partido de direita) e o governador da Toscana (de esquerda) não participaram da cerimônia. O bispo local, Fausto Tardelli, que tradicionalmente conduz a oração nas festividades no monumento, também não apareceu. Um padre de uma paróquia da cidade rezou em seu lugar

ROMA — Ao homenagear os militares brasileiros mortos na Itália durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), na manhã desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro finalmente se encontrou no país com o único dirigente da política nacional italiana que o apoia, o senador Matteo Salvini, líder da Liga, partido de ultradireita . O evento ocorreu em Pistoia, na Toscana, onde há um momento em homenagem aos 462 brasileiros mortos no confronto.

Bolsonaro deixou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido (um brasileiro) e fez um rápido discurso em que se disse “honrado” por pisar pela primeira vez em solo italiano, “terra dos meus antepassados”, e lembrou ainda a histórica relação entre os dois países. Ele mencionou o sacrífico dos brasileiros na Segunda Guerra:

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Ouso dizer que, mais importante que a vida, é a nossa liberdade.

Matteo Salvini recepcionou a chegada de Bolsonaro ao monumento. Aos jornalistas, pediu desculpas ao povo brasileiro pelos protestos contra o presidente vistos na segunda-feira nas cidades de Pádua e Anguillara Veneta, onde o presidente recebeu a cidadania honorária.

Trata-se de uma polêmica incrível, feita até na comemoração dos mortos que perderam a vida para defender nosso país e liberá-lo do nazi-fascismo. É um presidente que foi eleito, de uma república amiga, que veio recordar os soldados. Me desculpo em nome das instituições italianas. A polêmica deve estar fora dos cemitérios — afirmou Salvini antes do evento.

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Apesar da declaração, o político se notabilizou no seu país pela postura fria em relação às comemorações nacionais para recordar a liberação da Itália do nazifascismo. Em 2019, quando ele era ministro do Interior, Salvini sabotou as festividades do 25 de abril, data que comemora o fim do regime fascista.

O italiano disse ter sido convidado pela embaixada brasileira e que tinha o “dever e a honra” de comparecer ao evento. Ele ainda ressaltou que deveria agradecer Bolsonaro por sua ajuda na extradição do ex-terrorista Cesare Battisti – que foi preso e extraditado da Bolívia, em 2019.

Bolsonaro é recebido com protesto em cidade onde será homenageado na Itália Pessoas seguram uma faixa que diz "Ao lado do povo brasileiro, fora Bolsonaro" em protesto contra a chegada de Jair Bolsonaro, em Anguillara Veneta, nordeste da Itália, onde nasceu o bisavô do presidente brasileiro Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Pessoas seguram "Fora Bolsonaro" durante uma reunião de protesto contra a chegada do presidente brasileiro Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, nordeste da Itália Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Pessoas se reúnem durante um protesto contra a chegada do presidente brasileiro Jair Bolsonaro Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Uma mulher segura um cartaz que diz "nenhuma honra para aqueles que destroem a Amazônia" Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP O presidente brasileiro está na Itália, onde particiou no fim de semana da cúpula do G-20. Ele tem agenda no país até terça-feira Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Pular PUBLICIDADE Um homem segura um cartaz com os dizeres "misógino, racista, xenófobo, fascista" durante uma reunião de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em 1º de novembro de 2021 em Anguillara Veneta, nordeste da Itália Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Mulheres italianas colocaram uma faixa dizendo "Não à cidadania honorária de Bolsonaro" durante uma reunião de protesto contra o presidente brasileiro Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Mulheres ergueram uma faixa com os dizeres "cidadania honorária não deve ser dada como um presente, mas merecida em protesto contra a chegada de Bolsonaro, em Anguillara Veneta Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Peolpe segura faixas com os dizeres "Sem honra" e "Fora Bolsonaro" em protesto contra a chegada do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a Anguillara Veneta Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP Mulher segura uma faixa com os dizeres "Bolsonaro genocida" durante uma manifestação de protesto contra a chegada do presidente brasileiro Jair em Anguillara Veneta, nordeste da Itália Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP PUBLICIDADE — Se tivesse que esperar os presidentes de esquerda, os terroristas italianos ainda estariam livres no Brasil.

Salvini não quis responder sobre a condução da pandemia no Brasil, dizendo que a “história fará o julgamento”.

O evento em Pistoia — onde também houve manifestação contra o brasileiro — foi o último da agenda oficial de Bolsonaro em sua viagem de cinco dias à Itália. Ele retorna para o Brasil na tarde desta terça. Além de participar do G-20, no fim de semana, ele aproveitou a viagem para visitar a cidade dos seus descendentes.

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Acompanharam Bolsonaro na cerimônia na cidade os ministros Carlos França (Itamaraty), Augusto Heleno (GSI) e Braga Netto (Defesa), além do embaixador em Roma, Hélio Ramos.

— A cobra fumou. E, se for necessário, vai fumar novamente — disse Braga Netto.

O mestre de cerimônias do evento era um funcionário do Vaticano. Trata-se de um brasileiro, Silvonei Protz, responsável pelo serviço em língua portuguesa do VaticanNews, agência de notícias da Santa Sé.

Mais de mil soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) foram enviados para a Itália durante a Segunda Guerra. Morreram 465, mas os restos de dois militares nunca foram encontrados. Nos anos 1960, os corpos dos 462 brasileiros enterrados em Pistóia foram levados para o Brasil, permanecendo apenas um deles, o soldado desconhecido.  

Presidente brasileiro e sua comitiva andaram pelas ruas da capital italiana após a abertura do G-20 PUBLICIDADE O amigo italiano Em razão da imagem negativa de Bolsonaro, completamente isolado durante o G-20, a presença de Salvini no evento causou incômodo inclusive entre os partidos da direita italiana, aliados da Liga. O prefeito de Pistóia (de um partido de direita) e o governador da Toscana (de esquerda) não participaram da cerimônia. O bispo local, Fausto Tardelli, que tradicionalmente conduz a oração nas festividades no monumento, também não apareceu. Um padre de uma paróquia da cidade rezou em seu lugar.

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Salvini é o político italiano que mais se assemelha à estética e às práticas bolsonaristas: crítico da mídia e anti-imigração, ele já polemizou com o Papa Francisco — disse preferir o Papa emérito Bento XVI — e desenvolveu um esquema de comunicação focada nas redes sociais que não se furta a compartilhar fake news. É um político que se apresenta como um típico homem médio italiano.

Ele foi o primeiro líder internacional a apoiar Bolsonaro nas eleições de 2018. À época, era celebrado mundialmente como a nova promessa da direita nacionalista na Europa. Chegou a aparecer na capa da americana “Time” como o “novo rosto” do continente. Era ministro do Interior e homem forte do governo da Itália.

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PUBLICIDADE Em 2019, forçou uma ruptura, tentando derrubar o governo que integrava para que novas eleições fossem convocadas e ele se tornasse o novo primeiro-ministro. Seus cálculos deram errado. Começou ali seu desgaste e a queda nas pesquisas de opinião.

Hoje, apesar de seu partido integrar a ampla coalizão que sustenta o governo de Mario Draghi, Salvini age como um oposicionista. Flerta com negacionistas e polemiza com integrantes do Executivo. E tenta reconquistar o eleitorado de ultradireita, que bandeou para a sua principal rival nesse campo, a deputada Giorgia Meloni, líder do partido Irmãos de Itália, de origem neofascista e o único oficialmente na oposição ao governo Draghi.